Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Se o mundo acabasse em 2012, eu te mostraria tudo o que eu já escrevi sobre você, mesmo que eu me sentisse patética.

Para o Tudo de Blog.

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Hipocrisia.


Hoje eu fiquei observando as roupas do verão curitibano (e olha que Curitiba tem clima frio e povo famoso pelo mal-humor). Quase todas as garotas que vi nas ruas e no meu colégio estavam usando vestidos curtos ou shortinhos. E as pessoas encaravam isso com a maior normalidade possível (porque É a coisa mais normal do mundo!). No máximo, as meninas de sainha recebiam olhares admirados de meninos bobos, ou assobios na frente de construções.
É por isso que eu não entendo o que motivou os alunos da tal UNIBAN a realizarem um motim contra uma aluna cujo único crime foi usar um minivestido. O ano é, se não me engano, 2009, não 1709. Todas as meninas do universo (exceto muçulmanas, freiras e outras desse tipo) usam roupas curtas e não são hostilizadas em lugar nenhum. O incidente na universidade é o cúmulo da hipocrisia! A não ser que os alunos que xingaram Geisy usem burcas para ir à balada, são ridículos. Posar de falso moralista na sociedade de hoje só pode ser piada. É coisa de gente machista e com poucos neurônios. Fico me perguntando: imagina o que esses estudantes fariam se vissem moças de topless nas praias de Miami?

Texto para o Tudo de Blog - Revista Capricho

por MARIANE CHRISTINA SAVIO

o texto acima é de minha autoria, sendo proibida a cópia sem os devidos créditos. se quiser publicá-lo em seu site, blog ou fotolog, por favor inclua o link para o blog the-nutcracker e o meu nome.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Eu sou voluntária!
Meu mundo fica mais pink a cada vez que eu entro em um hospital vestida de palhaça. Desde que fiz voluntariado pela primeira vez (há 3 anos atrás), nunca mais parei. Cada sorriso provocado, cada brincadeira boba, cada bichinho de balão me fazem sentir uma felicidade indescritível. E é ainda melhor porque eu sei que a minha alegria faz outra pessoa feliz. Passar a tarde correndo de um lado para o outro, limpando brinquedos e contando piadas é, sem dúvidas, uma das melhores coisas da minha vida. Quando eu volto para casa, exausta, eu sempre choro. Nem sei exatamente o porquê (tá, em parte é porque eu sou maria-mole mesmo, mas não é só isso). Por um lado, fico triste pelos dramas das crianças; por outro, passo a valorizar mais a vida maravilhosa que tenho (meu mundo fica mais pink com menos dramas à toa). Mas acho que as minhas lágrimas são principalmente de felicidade: alegria simples e pura por saber que estou realmente ajudando quem precisa.


I'm going crazy now.

Eu não sou nada tolerante. E sei que isso é um defeito, mas não consigo mudar. Desde que percebi, discutindo política com alguns amigos, que eu odeio que as pessoas discordem de mim, procuro me manter longe de conversar polêmicas. Eu perco a cabeça! Basta alguém falar algo que eu acho absurdo e pronto. Quando eu dou por mim, meu sangue subiu e eu estou gritando palavras em um ritmo frenético, irritadíssima. É terrível, não dá pra controlar. As palavras tentam desesperadas sair da minha boca! Eu tenho impulsos insuportáveis e simplesmente preciso dar minha opinião. Nunca consigo ficar quieta, no meu canto! Ontem mesmo, em um almoço de família, precisei realmente me controlar (contei até dez, respirei fundo, fiz de tudo!) para não acabar discutindo com meu próprio tio. Se eu não tomar cuidado, eu perco a cabeça!

Pautas para o Tudo de Blog - Revista Capricho.

por MARIANE CHRISTINA SAVIO

o texto acima é de minha autoria, sendo proibida a cópia sem os devidos créditos. se quiser publicá-lo em seu site, blog ou fotolog, por favor inclua o link para o blog the-nutcracker e o meu nome.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

texto escrito há bastante tempo, que estava aqui guardado, esperando a hora certa para sair da gaveta.

E no final das contas eu só gostava do mistério.

E no final das contas eu só gostava mesmo do mistério. Só gostava de não poder ler nada no seu rosto, de tocar seus dedos ambíguos e rir das coisas que mudavam a cada dia. Seus dedos oblíquos e dissimulados passavam pelas minhas mãos sem dizer nada. Você parecia oblíquo e dissimulado. Deveria realmente o ser. O que me apaixonava era, então, só a impossibilidade de te ler. Porque eu sempre gostei de estar no controle das situações e, com você, isso parecia impossível. Era a gigantesca contradição entre meus olhos, como livros abertos denunciando minha alma, e os seus, tão diferentes, que nunca me deixavam saber de nada. Era isso. E você sempre soube como me manter fortemente atada aos seus quase encantos, com nós cegos. Agindo um dia de cada jeito, sorrindo um riso de canto, se esquivando, se aproximando: com o tempo perfeito pra se ajustar aos meus relógios de horas erradas.
Você nunca me deixou saber o que se passava pela sua cabeça, a não ser naquele dia. E foi no momento em que eu olhei através de você que acabou. Naquele momento, foi-se embora a paixão que me corroía. Como já disse Paulo Leminski, o amor é matéria prima que a vida se encarrega de transformar em raiva ou em rima. No meu caso, virou raiva e prosa.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Let destiny get some rest.

Não consigo imaginar como deveria ser a vida há uns 40 anos (tá, estou exagerando, é claro que eu consigo imaginar, mas devia ser muito mais difícil e diferente). Imaginemos que o ano agora é 1969, e você é uma adolescente comum. Você conhece um cara incrível em uma festa na praia, digamos. Sendo ele uma pessoa completamente aleatória, vocês não trocam telefones nem nada (aliás, vocês não tem celular, pra começo de conversa). Você sequer sabe em que cidade ele mora. Você vai sonhar com ele nas próximas semanas, poderá até concluir que ele era o homem da sua vida. Infelizmente, você só voltará a vê-lo se o destino der uma mãozinha e causar um improvável encontro. Ou seja, game over.
Mas voltemos a 2009. Essa história com certeza tem um final mais feliz, dispensando a mãozinha do destino. Hoje tudo é mais fácil: você digitaria o nome do garoto e pronto. Você precisa do mínimo de informação possível. Você vai achar orkut, msn, e-mail, facebook, twitter e myspace do cara da praia (se ele viver nesse planeta, é claro). Pode então se comunicar com ele de uma forma fácil, prática e casual. É simplesmente perfeito! Não vejo lado ruim nisso, sinceramente.
Às vezes admito que dá aquela vontade de sumir, de ficar incomunicável. Mas aí basta clicar no X do canto direito da tela e voi lá. Just like magic!


Pauta para o Tudo de Blog

Terça-feira, Outubro 13, 2009

Felicidade Clandestina.

Volta e meia me sento num banco de praça ou em algum lugar do shopping. Tiro um livro da bolsa. Se estiver sol, melhor ainda, porque posso disfarçar usando meus óculos escuros. Abro o livro (às vezes, admito, de ponta cabeça) e finjo ler. De vez em quando me lembro de virar as folhas, só para que ninguém perceba que não estou lendo. Na realidade fico observando as pessoas. Imagino como deve ser a vida delas, para onde estão indo, o que pensam. Crio hipóteses de como deve ter sido a infância dos velhinhos, como os namorados se conheceram, o que aflige a moça que anda com cara feia. Fantasio também sobre o futuro dos estranhos: será que conhecerão o amor da vida deles na próxima esquina? Quem sabe terão uma festa surpresa os esperando em casa? Adotarão um cãozinho de rua adorável que os seguiu por várias quadras? Simplesmente adoro esquecer um pouco da minha vida e pensar em desconhecidos, inventando destinos que nunca vão se concretizar. É meu pequeno e delicioso prazer secreto, que só se torna incômodo quando um estranho se senta do meu lado e avisa "Seu livro está de ponta cabeça".

Pauta para o Tudo de Blog.

Terça-feira, Outubro 06, 2009

2009, o inferno dos vestibulandos.

Não bastassem as duas semanas sem aulas por causa da gripe suína, nem as reposições nos sábados e domingos para compensar as férias forçadas. Não fosse suficiente a genial idéia de mudar o enem e complicar a vida dos vestibulandos, nem o estudo frenético, as noites em que eu dormi sentada numa cadeira em cima das apostilas, o despertador tocando 5h30 da manhã pra eu poder estudar antes de ir pra aula. Não, nada disso é ruim o bastante.
Eu sinceramente pensava que não podia piorar. Não dá pra ir além do fundo do poço, certo? Errado. Quinta de manhã meu telefone tocou. Antes que eu pudesse atender, o celular também já gritava. Eram meus amigos, desesperados: a prova do ENEM tinha vazado. E eu, que já estava preparada para o exame (tinha, inclusive, comprado chocolates pra comer durante a prova) e queria me livrar dele logo para me focar no vestibular propriamente dito, quase tive um surto. Não podia ser. E agora, ainda por cima, descobri que remarcaram a prova para o dia da minha apresentação de balé (que, aliás, é a minha formatura!). Graças à incompetência de alguns, vou perder a formatura da minha classe de dança, ótimo.
É revoltante. Mas essa notícia não deveria surpreender: apenas reflete o descaso do governo com a educação. É por isso que o Brasil está como está. A prova que avalia o ensino médio não tem sequer uma segurança adequada, que dirá um conteúdo bem cobrado ou uma preparação nas escolas públicas? Qual país vai para frente desse jeito? Digo com firmeza: nenhum. Parece que as escolas estão em último na lista de prioridades dos poderosos. Basta ligar a TV Senado e comprovar: eles só se preocupam consigo mesmos. E parece que, para eles, é melhor que a educação continue péssima. Assim ainda terão legiões de ignorantes para elegê-los.


Texto para o Tudo de Blog